De Volta

Ulisses e Calipso (Detalhe) na pintura de Gerardo de Lairesse.

Minha querida irmã, Dona Elisângela de Moura, costuma fotografar Deus e mundo, por vezes até Deus e Satanás, pelas suas diversões, pelos seus passeios e pelas suas viagens. É para lembrança! Que sua memória não é lá grande coisa. Mas qual a de quem é? Só minha professora de língua bretã, no já velho Radar (Lá se vão quase duas décadas de curso pré-vestibular feito!), tem das aliás, e dos elefantes, tamanha.

Língua bretã? No sentido de ser inglesa.

Por um momento, certa vez, essa professora deu pausa nos seus ensinamentos para nos demonstrar, estudantada sua, sua memória prodigiosa: "Lá me digam suas datas aniversárias, dia, mês, ano, que lhes comento qual acontecimento famoso se deu por elas! Ou, pelo menos, aquilo que se deu comigo pelo dia".

Ninguém mente com narrações ricas em detalhes. Tampouco famosas ocorrências evocadas só pela recordação sem nada consultar. Êta! Bem me lembro de quando lha disse minha data natalícia. Ficou maravilhada com tal!

"O Senador Marcos Freire nesse dia morreu. Vitimado, num avião viajando, por explosão aérea. Sim! Bem me lembro disso pois enquanto se dava tamanha notícia pela TV picada fui por um escorpião".

Ela continuou sua narração da quizumba por um escorpião provocada. Terrível certamente! Sim: apesar das risadas tanto de minha professora, fora de perigo (Graças aos Céus!), quanto de sua classe de meia-dúzia pois a maioria prefere compreender espanhol. Medo tenho dos escorpiões: aliás. Perigosíssimos. Mas comigo, mais que temor qualquer, fica seu vagar professoral em dizer: "O Senador Marcos Freire". Com tremendo respeito. Lembrado como figura que, de tão respeitável, histórica bem é.

Quem é Marcos Freire?

Basta dizer que fez política no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) quando no período do governo federal sendo militar? Que renunciou a prefeitura de Olinda por causa do Ato Institucional 5? Que tinha, das oratórias, uma primorosa? Que de tão combativo pelo seu partido, de ser oposição real ao ditatorial regime, fez parte do "Grupo dos Autênticos"? Que foi defensor, por 79, da não extinção do MDB?

Creio que sim: basta.

Já no Recife, mais estudante de Pernambuco que de sua Federal, universidade de ser "alma mater", aliás, de Freire, comprei de sebo livros com os discursos pela tribuna do político que falece pelo meu nascimento. Li vários. Preciso lê-los todos: porém.

Ou minto? Talvez um só foi comprado pelo Recife. Dos três ou quatro são os restantes aquisições em minha Vitória! Bem outros são os da Veneza brasileira.

Sim: a memória costuma me trair. E não a minha professora de língua bretã no Radar.

Mil e tantas fotos de suas diversões, de seus passeios e de suas viagens Elisângela consigo vai conservando. Para sua memória não lhe trair a lembrança: pelo menos demais. Será que tem espaço digital para tanto? Certamente jamais analógico teria! Quanto mais físico. De morar na Ferreira Color (Cólor se diz: eu pronunciava com erro nisso. Compreensível pois em idioma falo português), se bem assim de muitíssimas fotos minha irmã fosse, pela década 90 passada.

Desejo fazer igual: só que com textos. Meus escritos. Adoraria se bem feitos e com a quantidade das fotográficas imagens fraternais. Impossível! Contudo tentar, ao menos, algures uma crônica disso mais alhures uma crônica daquilo. Já tenho várias poesias líricas? Mais! E continuar as tentativas de romances, de poesias épicas, de sei lá mais quê...

Ressuscitar o meu blogue? Sim. Novamente ressuscitá-lo!

Mas... Quem me lê? Só Carolina Belém lá de Portugal. De leitura bem lida: digo. Que me faz escrever com gosto. Porém, apesar de quase ninguém ser meu leitor, fiquei bastante feliz com duas pessoas lidas que recentemente puseram seus olhos atentos sobre meus "Rudimentos Essenciais". Não espontaneamente pelo blogue minhas leitoras, óbvio, mas convidadas a me lerem aqui. Seus comentários, atentos bem aos meus textos, dão algum gás a qualquer literatura minha.

Para se ter idéia disso: comparável a Bocage sou num; noutro fiz evocar alguma pessoal lembrança terna já passada.

Qualquer literatura minha... Vária de ser publicada no meu blogue? Certamente. Novamente ressurreto!

Novamente? Sim. Em três anos o mato: 2019, 2021 e 2025. De ser por inanição: sou cruel. Por outros dois bem é ressuscitado: 2020 mais 2022. No tesão, assim, engravido minha criatividade.

Quanta coisa poderia ser dita pelos anos mortos!... Mas eu, por vezes, sem inspiração... Por vezes sem vontade... Por vezes, sim, por vezes de minha vocação literária descrente... Por vezes na depressão extremamente sorumbática... Por vezes tanto... Por vezes quanto... Por vezes Afrodite... Por vezes Atená...

Mil e vários acontecimentos pelo mundo: precisamos de mil e várias penas cronistas! Sem gente leitora por até! Para fazerem registro. De bom e melhor registro se possível. Até ser genial? Quiçá! Tanta coisa se perde que poderia ser transcrita por uma literatura boa... Céus!... Por Tamaim!

Assim medito perante Machado de Assis em suas crônicas. Ele: de mergulhar no passado... Mar do passado seu tão excelente no banho. Risadas mil dou, por exemplo, pela velha política nacional, ruim, muito ruim, mas, infelizmente, não tanto que nem a de já, com elegância caceteada pelo bruxo do Cosme Velho.

Magia literária de bem enfeitiçar quem a lê pois é saborosíssima!

Sem tanto sabor, mas com algum nem que seja por um tantinho bem miúdo do mínimo de ser alfinete, grão ou pó tão-só, desejo ser cronista, por além de romancista, poeta, dramaturgo, contista, sei lá mais, de bem escritor ser, enfim, tanto neste blogue quanto na vida.

Vida, cá, rediviva.

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