quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Disputas e Desconfianças


Edna Soares em seu Magistério: Mainha.



Por Sérgio Gonçalves

Uma carta direcionada para colegas: faz um ano. Por momentos difíceis passávamos. E no meio de tantas desilusões, fiz para quem estuda minhas homenagens seguintes.


As exigências esquecidas da responsabilidade, construídas a partir do nosso desejo mais humano de convivência, fazem ver incríveis desilusões, proporcionadas principalmente por nós, estudantes. Que temos com tais problemas? Tudo. Somos aquilo que nos exige consciência, reflexão, verdade. Com a primeira nós agimos; pela segunda, transformamos; na terceira nos mantemos (ou pelo menos deveríamos). Sem essas atitudes as três composições de nosso ser estudantil tomam outras: a consciência revela; mais a reflexão, que debate; por fim, a verdade provoca. Das pessoas esperamos mudanças, apesar de, na maioria das vezes, elas serem incompreensivelmente conservadoras; assim o pensamento crítico nos mostra nosso reflexo também: eis a realidade. Sim, dispomos de difíceis problemas, os mais humanos possíveis. Agimos inconscientemente, deixamos de refletir, então tememos a verdade. Mas conjuntamente podemos resolvê-los, com sinceridade mais compreensão mútua.

Custa percebermos o quanto conosco somos danosos quando cometemos atos equivocados em prol de nossos egoísmos? Talvez. Há quem colabore, bem internalizando seu paralisante temor capaz de conivências e covardias, ou manifestando várias disposições quantas forem as dos seus próprios interesses; ambas as partes são mantenedoras de visões da realidade distorcidas, erros, injustiças, pois agem aliadas com disputas e desconfianças. Para muitíssimos seres humanos apraz a situação proporcionada pelos seus algozes, estes que se fazem desconhecer, não declarados como tais. Enfim, com a busca do conhecimento prejudicada, descompromisso com nossos compromissos, ajudamos um sistema mundano que destrói seres humanos em sua dignidade.

Portanto, quantas lutas existem afinal? Ao desprezar as "lutas" alheias, ou considerar somente nossas concepções como virtuosas, impacientando-se com outras opiniões, irônicas ou normais, é bastante para desunir e desviar de quaisquer objetivos que busquemos. Uma luta tão-só se faz concebível: pela justiça. Nós, como seres humanos, devemos isso para nossas e nossos semelhantes. E por todo conhecimento perpassa contestação, protesto. Só por mãos discentes o conhecimento de mundo se faz. Eis que faço parte deste conjunto, sendo mais um de seus elementos; deste todo, sendo parte; deste corpo, sendo membro; deste modo, necessito de tal corpo, discente, para minha sobrevivência pensante, seja lá como depois eu for! Afim estamos de continuar a promover a nefanda realidade-realmente-real ao mantê-la por réis, dinares, rublos, pesos, rupias, dólares, ...centavos? Mas quê! Somos mendicantes? Tal malfazejo contrato social é digno de pessoas loucas, transtornadas, suicidas... Demais é já revelar as angústias inauditas, apesar de nossas.

Feliz dia de quem estuda!

Um comentário:

  1. De quando os jovens são obstruídos em seu ser, esvazia-se a si próprio: profissionalização do estudo.

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