quinta-feira, 9 de junho de 2011

Uma Visão de Relance

Por Walt Whitman
Tradução de Luciano Alves Meira
Comentário de Sérgio Gonçalves




Saibamos: ao nos dizer intimamente sua mensagem a poesia nos surpreende. Surpreendente se faz pois a compreendemos assim plenamente. Quem poetiza com plenitude na busca de qualquer intimidade leitora ganha sem dúvida mais alguém por um instante feliz. Melhor ainda se conseguir alcançar tal graça pela simplicidade. Por “Uma Visão de Relance” bem Whitman se faz genialidade. Com intimidade. Surpreendentemente. Na plenitude da simples beleza.

Nos tempos frios em que passamos, tanto pela realidade física quanto também humana, nosso coração ao menos aquecido fica com as palavras bonitas seguintes.




Uma visão de relance, através de um interstício eu tive,/
De uma multidão de operários e condutores reunidos em um bar, em torno de um fogão, em alta noite de inverno, enquanto, sem ser percebido, eu me sentava a um canto,/
E um jovem que me ama e a quem amo, se aproximando em silêncio e sentando-se ao meu lado, poderia segurar-me pelas mãos,/
Por um longo tempo, em meio aos burburinhos dos que vinham e voltavam, dos que bebiam e blasfemavam e faziam gestos obscenos,/
Ali nós dois, satisfeitos, felizes por estarmos juntos, falando pouco, talvez nem mesmo uma palavra.

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