Anotação Íntima

Gosto de bebidas alcoólicas e quem me conhece sabe bem disto. Na meia-noite de Nossa Senhora da Conceição Aparecida bebo. Por um momento, da janela do meu quarto, lugar que já foi de vozinha (Que lha tenham os Céus!), que nem a casa também, o muro contemplo que se bem alteia por minha frente tolhendo qualquer bisbilhotice tanto de rua quanto vizinha. Por um lado sou feliz com isso mas por outro não. "É da vida!": diz Ester a mim após saber assim de meu não e sim agora dito. Mas que vida, pelo menos, vem a ser a minha? Costumo sentir demais qualquer coisa. Para meu gênio poético tal atitude para com a vida salutar é. Todavia para meu viver cotidiano jamais e nunca me dará tanto saúde. Sofro com depressão inclusive. Por um momento sinto baita felicidade pois menos ainda terei de lidar com ignorâncias mil de quem uma vida medíocre vive (Mal alguém desse jeito sabe que tal viver enfim é tão-só sobrevivência!). Mas em outro também apiedo-me de tal gente. Talvez a convivência... Não! Até com familiares já tentei conviver para lhes tirar da mediocridade porém sem qualquer sucesso. Mas... Igualmente não posso ser afinal medíocre? Pensar enganosamente que sou tudo que não? Tal ignorância não compartilho com quem a tem enfim? Não é defesa para quem deseja simplesmente viver e jamais meditar sobre suas limitações ou seus defeitos? E sobre todas as minhas e todos os meus: ensimesmo-me de fato?

Gosto de bebidas alcoólicas. Porém sem vício. Costumo tomá-las, aliás, em momentos de felicidade que nem as festas juninas para cantar a São João sua vida feliz em nos anunciar o Cordeiro Divino que, pelo seu sacrifício, bem é promessa de futuro sem qualquer tristeza: com tristeza nenhuma. João: patrono de meu lar.

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