Duas Casas
As noites juninas por mim festejadas não são já felizes que nem as com minha bisavó.
Constelavam os Céus perante minha casa diversos balões. E saíamos a caráter em direção à casa de Luísa por alguns quarteirões, poucos, de caminhada: no meio das fogueiras, dos estalos dos fogos e dos risos das gentes. Vó Luísa... Que recebia visitas de várias pessoas enquanto se tocava forró de primeira. Forró do bom arretado! Sim: pé-de-serra. Canjicas e canjicas abocanhadas e também oferecidas por vozinha que lhas fez a quem é de seu conhecimento. Conversas e conversas. A simpatia de minha tia-avó praticamente também madrinha. Fogos e mais fogos. O cheiro de lenha na fogueira pelos ares. E milhos assados por suas brasas. E moças bonitas a passear nas ruas. E tentativas frustres para dançar quadrilhas. E Nosso Senhor querendo comigo dialogar por meio de São João criança. São João menino com seu cabrito.
Tal cabrito resolveu, certa vez, escapulir dos braços joaninos. E fez uma bagunça pela sala de vó. Saiu nas carreiras saltitantes a balir pelas ruas do meu bairro. Fui persegui-lo para lho devolver ao meu santo.
Por anos persegui tal cabrito. Vitória... Moreno... Jaboatão... Recife. Só podia ser de gente santa! No meu desânimo de não mais querer essa perseguição ele se voltava com suas cabriolagens para meu lado pondo fogo na minha vontade de pegar sua trela. Mais uma vez tento!
Descansou por fim aos pés de Carolina Belém Pereira. Tive que dizer ao meu bom São João assim que não mais lhe devolveria seu bicho. São João, aquando do término dessa perseguição ao seu cabrito, já tinha barba. Velho macho. Tão forte de viver em deserto. Relembrei seu cabrito... "Não. É de Carolina por agora": disse-me com sua voz grossa de quem há de proclamar aos quatro ventos a chegada de Nosso Senhor à Terra.
Pouca gente festeja direito São João hoje. Das poucas uma delas é Carolina Belém: outra vem a ser eu.
Constelavam os Céus perante minha casa diversos balões. E saíamos a caráter em direção à casa de Luísa por alguns quarteirões, poucos, de caminhada: no meio das fogueiras, dos estalos dos fogos e dos risos das gentes. Vó Luísa... Que recebia visitas de várias pessoas enquanto se tocava forró de primeira. Forró do bom arretado! Sim: pé-de-serra. Canjicas e canjicas abocanhadas e também oferecidas por vozinha que lhas fez a quem é de seu conhecimento. Conversas e conversas. A simpatia de minha tia-avó praticamente também madrinha. Fogos e mais fogos. O cheiro de lenha na fogueira pelos ares. E milhos assados por suas brasas. E moças bonitas a passear nas ruas. E tentativas frustres para dançar quadrilhas. E Nosso Senhor querendo comigo dialogar por meio de São João criança. São João menino com seu cabrito.
Tal cabrito resolveu, certa vez, escapulir dos braços joaninos. E fez uma bagunça pela sala de vó. Saiu nas carreiras saltitantes a balir pelas ruas do meu bairro. Fui persegui-lo para lho devolver ao meu santo.
Por anos persegui tal cabrito. Vitória... Moreno... Jaboatão... Recife. Só podia ser de gente santa! No meu desânimo de não mais querer essa perseguição ele se voltava com suas cabriolagens para meu lado pondo fogo na minha vontade de pegar sua trela. Mais uma vez tento!
Descansou por fim aos pés de Carolina Belém Pereira. Tive que dizer ao meu bom São João assim que não mais lhe devolveria seu bicho. São João, aquando do término dessa perseguição ao seu cabrito, já tinha barba. Velho macho. Tão forte de viver em deserto. Relembrei seu cabrito... "Não. É de Carolina por agora": disse-me com sua voz grossa de quem há de proclamar aos quatro ventos a chegada de Nosso Senhor à Terra.
Pouca gente festeja direito São João hoje. Das poucas uma delas é Carolina Belém: outra vem a ser eu.
Comentários
Postar um comentário