segunda-feira, 3 de março de 2014

Meu Carnaval

Faço questão de todos os anos ir aos desfiles dos blocos líricos no Marco Zero recifense. Lá realmente participo da folia pois canto de boca cheia canções com letras bem elaboradas. E sou fã de músicas saudosistas ou com algo pesaroso.

Sei que com Edgard Moraes os frevos de bloco começaram a ter letras melancólicas. Assim ele se tornou justamente de tais melodias seu maior compositor! É genial contrapor alegria com tristeza por ser a vida composta delas. E juntas.

Não há tristeza por maior que seja que não tenha sua quota de felicidade. Também vice-versa.

Melhor: contrapor alegria com tristeza no Carnaval! Festa que normalmente se faz para dar esquecimento das dores cotidianas.  Mas os flabelos carnavalescos não deixam esquecer as lágrimas escorrendo por lábios antes sorridentes.

Qualquer melancolia se torna mais intensa com toda saudade. Palavra que tão singular até nomeia bloco! Seu desfile começa logo lembrando todos os pares anteriores a sua fundação com a canção intitulada Valores do Passado. Recordação mais linda não presenciei!

Contudo meu preferido vem a ser o “das Ilusões”. Um pierrô sentado na lua tocando banjo: bom emblema. Bloco que tem ligações com o conhecidíssimo de frevo rasgado Galo da Madrugada. São do mesmo bairro por exemplo: São José.

Tal lugar famoso vai bem cantado na composição Bairro dos Meus Amores.

Vão para mais de duas dezenas a desfilar na segunda-feira fim de tarde. Seguem pela noite. Minha primeira vez não esqueço. Foi no momento máximo do desfile quando se faz homenagem a quem é parte dos blocos líricos e por eles dedica boa parte de sua vida.

Getúlio Cavalcanti, maior compositor vivo para frevos de bloco, recebeu devida gratidão em meio de três agremiações irmanadas que cantaram-no com plenos pulmões. Daí por diante nunca mais deixei de me fazer presente lá: cantando também a ponto de ter rouquidão.

Apesar de ser jovem igualmente tenho meus motivos para relembrar Carnavais inesquecíveis que jamais voltarão. A minha cidade natal infelizmente não tem mais o seu. Somos uma Bahia dentro de Pernambuco: que profanação! Axé mais outros ritmos sem ter até qualquer relação com Carnaval são tocados.

Que me resta senão cantar?

Um bom repertório segue. Por Aldemar Paiva: Saudade. Por Heleno Ramalho: Flabelo das Ilusões. Por José Menezes e Geraldo Costa: Terceiro Dia. Por Nelson Ferreira: Bloco da Vitória. Por Samuel Valente: Saudosos Irmãos.

Bom acrescentar as de quando se tinham disputas entre blocos. As bem conhecidas são a de Chico Baterista, Xô! Xô! Pára-Quedista, mais a de Roberto Bozan, Pára-Quedista. Com outras do velho Moraes dou fim: A Dor duma Saudade; Recordar é Viver; Saudosos Foliões.

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